Em uma bela manhã, pássaros formavam uma orquestra de admirar-se, o sol brilhava como uma pequena chama radiante, flores brancas coloriam todo o jardim. A mulher olha pela janela encantada com o que via, com seus olhos profundos e claros como o céu. Ela observava atentamente a garotinha brincar com suas duas bonecas de porcelana, como poderia existir uma figura tão inocente como as crianças? Com um singelo e puro sorriso, a senhora abre a janela e grita pela menina.
_Minha filha venha guardar suas roupas!
_Ah mais já? Estou indo mamãe.
A garota segura suas duas bonecas e sai correndo para dentro da grande e antiga casa.
_As roupas estão todas em seu quarto, se precisar de mim irei estar na sala.
_Certo mamãe.
No mesmo momento foi possível ouvir os passos de Maria indo em direção ao seu quarto, mas antes de continuar ela para e olha para a mãe.
_Se eu terminar essa tarefa, nós podemos brincar com a Bela e a Anna, igual sempre fazemos?
Crianças são cheias de perguntas, são como detetives e seus pais os suspeitos.
_Claro, quanto mais rápido você terminar, mais cedo vamos brincar.
Lena amava passar esses momentos ao lado de sua filha, diariamente as duas se divertiam brincando de boneca, pega-pega, faz de conta... cada minuto junto de Maria era gratificante, ainda mais depois de perder o único amor de sua vida para outra mulher mais jovem e mais bonita.
_Eba! Agorinha eu volto com tudo pronto.
Mais de 10 minutos se passam e como prometido lá estava a menina, segurando novamente suas duas bonecas, mal conseguia carregá-las por ser tão pequena e fraca.
_ Nossa, você foi muito rápida querida, realmente guardou tudo?
_Sim, tudinho! agora, qual das bonecas você quer ser?
_ Eu já te falei que te amo?
_Simm, você me fala todo dia isso mamãe! eu quero ser a Anna.
Lena ri discretamente da sinceridade da menina e concorda em ser a Bela. O tempo vai mostrando o seu poder, e em um piscar de olhos aquele belo dia dava lugar para o luar. Elas passaram o dia inteiro se divertindo juntinhas, mas ele não espera.
_Já é hora de ir para a cama doninha.
_ O que?!ah, não, ainda está cedo.
_ Sem enrolação direto para a cama.
_Tá bom.
A hora de dormir era a parte que Maria mais odiava, pois ela queria sempre estar brincando com a sua mãe e dormir atrapalhava os seus planos.
_Boa noite minha pequena.
A mulher se aproxima e dá um beijo na testa da filha.
_Boa noite para você também mamãe.
_Obrigada, vou desligar essa luz aqui.
_ Espera! Não desligue ela, eu não quero dormir no escuro, por favor.
_Olha meu bem, você não precisa ter medo do escuro esim deve enfrenta-lo!
Todos nós temos uma criança em nosso interior, criando medos com coisas mínimas como o escuro, tentamos negá-la, porém ela sempre irá existir.
_Sabe, quando eu tinha a sua idade eu tinha medo de bonecas.
_Bonecas?!
_ Sim, bonecas.
_Então eu decidi pegar a única que eu tinha, e dormir com ela. Foi assim que eu descobri que tudo aquilo era uma invenção do meu cérebro.
_Certo, eu vou enfrentar os meus medos igual uma guerreira! Pode desligar a luz.
_Isso mesmo, minha pequena guerreira.
Lena desliga a luz e fecha a porta, a noite estava escura, mal dava para enxergar aonde ela estava pisando, o vento soava como um assobio. Lena caminhava lentamente pelo corredor que cheirava a mofo, observando as fotos do seu ex-marido, “Como ele pode me deixar”, ela se questionava.
Ela abriu a antiga porta de madeira do seu quarto, o barulho era sufocante, seu corpo se arrepiava a cada instante que permanecia ao lado daquela porta, então fez questão de fecha-la rapidamente.
A água escorria pelo seu corpo, enquanto aquela sensação estranha voltava a assombra-la, porque ela? O que era esse sentimento? sua respiração começa a aumentar, suas pernas tremiam. Ela desliga o chuveiro, pega a toalha e retira-se do banheiro. Ao sair, sente o frio arrepiando todo o seu corpo, se apressa e veste um longo vestido com mangas longas. O tempo é o seu maior inimigo só piora a situação, não conseguia dormir por causa daquele sentimento e não parava de soar, assim, ela decidiu ir na janela tomar um ar, o silêncio era diabólico, nenhum som somente o vento, chegando na janela, Lena coloca suas mãos magras e geladas sobre o objeto, respirando calmamente, porém nada adiantava aquele sentimento de culpa só aumentava. De repente um barulho foi ouvido por ela, olhou cuidadosamente para o jardim e teve uma surpresa, as flores brancas anteriormente recebiam um vermelho vívido, mas o que era aquilo? Seu coração estava para sair de sua boca, e mal conseguia ficar de pé por causa das pernas bambas, logo depois, vários gritos e sussurros estavam sendo ouvidos em sua cabeça, gritos de terror e medo, de repente Maria era um desses, seu extinto de mãe ativou. Ela corria em rumo ao quarto da filha, o vento aumentava assim como os gritos.
Chegando no corredor das fotos do ex-marido para a surpresa de Lena aquele não era o homem que a uma semana tinha te abandonado e sim sua pequena Maria! mas, a menininha estava diferente, ela usava um vestido branco sujo, cabelo bagunçado e com manchas avermelhadas pelo corpo. A mulher ficou espantada, como essas fotos apareceram lá?
por que sua querida filha estava daquele jeito? E que monstro teria coragem de fazer algo parecido com uma simples criança! Lena corria, gritava e chorava em direção ao quarto da garota, mas antes mesmo de abrir a porta do quarto da menina sua visão ficou embaçada e tudo ficou preto.
*Silêncio*
_Então você é a senhora Lena Silva?
_*Silêncio*
_Responda.
_S-Sim, sou eu.
_ Por que?
_Estava bêbada, meu marido...
_Sim, já sabemos disso.
_ Não tive a intensão. Minha pequena Maria....
_Você será presa até que a sua audiência seja marcada.
Podem levar ela!
O amor entre essa mãe e a sua filha não durou muito tempo, e graças a negação foi destruído ainda jovem.
Escito por: Gabriela Duarte (8º ano A)
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